Tento enganar a pressa com uma xícara de café. Ao contrário do que muitos dizem, o café me acalma. Mas a pressa é mais uma urgência. Meu coração não se deixa parar. Ele quer bater cada vez mais apressado, porque tem medo de não acompanhar o tempo, que insiste em correr. E no meio de toda essa confusão de sentimentos, me vejo tentando entender o que leva uma pessoa a mudar. Não estou falando de amadurecimento, mudança adquirida pelos anos e experiências vividas. Estou falando de mudança rápida, na famosa mudança da “noite para o dia”.
Tenho a impressão que as pessoas se interessam e desinteressam umas das outras numa velocidade muito maior do que nossa compreensão possa alcançar. Talvez, porque conseguimos extrair do outro o que mais nos interessa com muita rapidez, e aí o que sobra não vale tanto a pena. Ou também pode ser por medo que se apegar àquilo que não temos interesse, e de repente, descobrirmos que não podemos mais viver sem.
O ser-humano é movido parte pelo medo. O medo nos impulsiona. Para frente ou para trás. Depende da nossa reação diante do que nos causa medo. Sentir medo é bom. Os médicos dizem isso. Sem ele somos fadados ao esmagamento imediato por falta de reação. É ele que nos faz reagir diante de algo que possa nos ferir. E sentimentos direcionados de forma errada podem causar feridas difíceis de serem curadas.
Tento respirar fundo, ouvir uma música, cantarolar. Mas meu coração bate em ritmo acelerado. Não consigo parar de pensar no que leva as pessoas a mudarem tão rapidamente. Isso incomoda tanto quanto um espinho na ponta do dedo. Vez ou outra dá aquela fisgada. Mas não dói o tempo todo.
E assim, entre um café e um cantarolar, vou tentando esquecer, que na verdade, quem mudou fui eu.